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Salut (por Pastor Pedro Brito)

Dezembro 27, 2010

Boa tarde,
em jeito de preparação para a Assembleia Geral da Juventude, deixo-vos abaixo uma mensagem enviada pelo pastor Pedro Brito.

Salut!
Aqui onde estou, quando se cumprimenta alguém, é comum dizer-se esta palavra. É a Suíça de língua francesa, mas mesmo em França a dizem. A palavra quer dizer salvação.
Quando eu cheguei aqui, vinha convencido que não havia pobres. Todo o mundo sabe que a Suíça é um dos países mais ricos do mundo. Vinha também convencido que iria encontrar uma Igreja Protestante grande, muito maior que a minha em Portugal.
Ao fim de algum tempo, aqui nesta cidade onde estou, pude conhecer o Diácono da Igreja Protestante e ele convidou-me a vir às 3ªs feiras e às 5ªas ver e ajudar nas actividades de duas organizações criadas para servir as pessoas da localidade. A primeira actividade é um almoço comunitário semanal aberto a todos, com o preço simbólico de 5 Francos Suíços (cerca de 4 Euros). Almoço com tudo o que se tem direito, como se se fosse a um restaurante onde se teria de pagar 10 vezes mais; A segunda é a distribuição semanal de alimentos a famílias mais carenciadas. Já lá vão dois meses desde que iniciei a minha presença nesta distribuição e nunca apareceram menos de 40 famílias por semana. Famílias identificadas pela Administração que são apenas a face visível de outras tantas que por vergonha ou outros motivos não aparecem.
Sim, é verdade que a Igreja protestante desta localidade tem cerca de 2000 protestantes nas suas listas de membros e é verdade que nestes projectos sociais trabalha em conjunto com outras Igrejas, nomeadamente com a Católica Romana, mas sabem quantos pastores tem esta Igreja nesta localidade? Um. E também tem um Diácono como disse. Neste Cantão (a Suíça está dividida em cantões, espécies de países dentro do País que é a Confederação Suíça) a “Grande” Igreja é a Católica Romana e no total são 10 pastores e três diáconos da Igreja Protestante do Cantão. Alguma semelhança com a nossa IEPP será pura coincidência?
Serve esta minha experiência particular para partilhar convosco que enquanto discípulos de Cristo, somos naturalmente a servir, não existe uma forma ou um lugar. Seja onde for, podemos de facto servir no concreto das nossas vidas de diversas formas. Assim o têm feito também diversos pastores e responsáveis da IEPP em Portugal, assim o têm vivido membros da IEPP, cristãos, ou até mesmo não crentes no seu dia-a-dia ou no envolvimento pessoal nalgum projecto. A oportunidade de servir não conhece fronteiras de crença, lugar ou modo. O ser humano é naturalmente ser para servir, para o outro.
Claro, que nós cristãos sabemo-lo melhor através das palavras de Jesus: “o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir, e para dar a sua vida em resgate de muitos.” (Mt. 20:28). Jesus diz isto a propósito do pedido da mãe de Tiago e João, dois dos seus discípulos mais próximos. Ela pediu a Jesus que eles ocupassem os dois primeiros lugares do seu Reino. A resposta de Jesus foi esta: “Bem sabeis que pelos príncipes dos gentios são estes dominados, e que os grandes exercem autoridade sobre eles. Não será assim entre vós; mas todo aquele que quiser entre vós fazer-se grande seja vosso serviçal; E, qualquer que entre vós quiser ser o primeiro, seja vosso servo; pois também o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir, e para dar a sua vida para resgatar a humanidade.” (Mt. 20:25-28).
Filho do Homem é o título que Jesus atribuiu quando fala dele próprio. Era como se ele estive a dizer: “Eu não vim para ser servido, mas para servir e dar a sua vida pela Humanidade.” É o eu de Jesus que está ligado ao meu eu, ao eu de cada um de nós através das palavras: pois também. O discípulo de Jesus, o cristão é chamado também ele no seu eu a servir o tu, Também para resgatar a humanidade, ou seja salvá-la, tal como Jesus. É servindo o tu que encontramos o eu. Eu vim para…
As questões que se colocam são: mas onde, como? Onde posso eu servir e como? Por isso é que vos quis deixar o meu testemunho pessoal que vivo aqui na Suíça. No concreto, mesmo através da internet, vão-nos chegando exemplo de serviço ao tu, mas também exemplos de serviço ao eu. Podemos pegá-los como exemplos num ou noutro sentido, mas temos de ser sempre nós a encontrar o nosso caminho, seja onde estivermos, seja de que maneira for.
Para mim, o segredo está na maneira como Jesus servia. Jesus servia cada um que ele encontrava no caminho da sua vida. De uma forma ou de outra, qualquer pessoa que passava por Jesus encontrou a salvação. Claro que os Evangelhos contam-nos sobretudo os gestos mais espectaculares, mas o que dizer de Zaqueu? O cobrador de Impostos que apenas trocou de olhares com Jesus o suficiente para mudar de vida. Deixou de procurar ser servido para passar a servir: “Senhor, eis que eu dou aos pobres metade dos meus bens; e, se nalguma coisa tenho defraudado alguém, o restituo quadruplicado. E disse-lhe Jesus: Hoje veio a salvação a esta casa, pois também este é filho de Abraão. Porque o Filho do homem veio buscar e salvar o que se havia perdido. (Lc 19:8-10)”.
No nosso caminho diário, nos encontros quotidianos, o nosso eu vai encontrando muitos tus. Que possamos naturalmente servi-los, para salvação da Humanidade.
Salut!
Pedro Brito

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